O PROJETO

Apesar de ser a maior cadeia de montanhas do mundo, a Cordilheira dos Andes permanece pouco documentada.  Uma busca por livros de fotografia sobre a região, por exemplo, resulta em poucos títulos, e nenhum que seja compreensiva, sobre toda a cordilheira.

 

Percebendo esta lacuna, surgiu a idéia deste projeto: realizar um trabalho artístico-fotográfico de grande envergadura, ao longo de toda a extensão e amplitude dos Andes, que resultará em vários livros, exposições e um documentário que traduzam para o público toda a escala, a beleza e a majestade destas montanhas. 

 

Este projeto envolverá uma equipe multidisciplinar para assegurar o máximo de qualidade em todas as suas etapas e aspectos: produção, captação das imagens, curadoria, textos, design gráfico, design da exposição, montagem e impressão final.  Durante três anos, percorremos toda a extensão da Cordilheira, da Venezuela à Terra do Fogo, em uma série de expedições.

 

A primeira expedição ocorreu de janeiro a março de 2016 e percorreu o norte da Argentina, o Deserto do Atacama, no Chile, e o sul da Bolívia.  Seus resultados podem ser conferidos no Blog e nas galerias de fotos deste website.

 

 

A CORDILHEIRA DOS ANDES

 

O nome “Andes” vem da palavra Quéchua (a língua dos Incas) antis, que significa “crista elevada”, mas não lhe faz justiça.  A cordilheira dos Andes é a maior cadeia de montanhas do mundo, com mais de sete mil quilômetros de extensão, atravessando sete países: Venezuela, Colômbia, Ecuador, Perú, Bolívia, Chile e Argentina.  E esta enorme extensão abriga algumas das paisagens mais dramáticas e belas do mundo.  São centenas de montanhas e vulcões com mais de cinco mil metros de altitude, incluíndo a montanha mais alta do mundo fora da cordilheira dos Himalaias: o Monte Aconcágua.

 

Devido à sua orientação norte-sul, e por se estender dos trópicos até quase a região polar, a cordilheira é uma formidável barreira aos ventos e à umidade, criando uma enorme quantidade de microclimas onde a vida prospera e se diferencia. De suas neves, nasce o maior rio do mundo, o Amazonas.  Em suas encostas encontram-se as florestas com maior biodiversidade do planeta. Dos Andes vem alguns dos alimentos mais importantes do mundo moderno, como a batata e o tomate, bem como grãos menos conhecidos, como a quinoa, considerada um dos alimentos mais saudáveis do mundo.

 

Seus planaltos e vales são habitados há milhares de anos e deram origem à várias civilizações com uma organização e feitos de engenharia altamente sofisticados, como os Incas e o povo de Tiahuanaco. As técnicas de cultivo usadas pelos Incas e outros povos do altiplano andino não só preservavam o solo da erosão, como aumentavam a sua fertilidade e profundidade, permitindo que essa região de clima extremo e solos pedregosos se tornasse auto-sustentável por milênios e se transformando em um exemplo único de sustentabilidade. 

 

Dezenas de etnias ainda habitam a cordilheira, tentando preservar suas culturas e sabedorias tradicionais perante o avanço homogeneizador do mundo moderno.  Porém, desde a colonização espanhola essa região testemunhou uma grande quantidade de perdas e sofrimento e também ao surgimento de uma cultura mestiça que ainda procura encontrar seu lugar entre suas crenças antigas e realidades modernas.

 

Os ecossistemas andinos também estão sob perigo.   O desmatamento nas encostas tropicais ameaça a biodiversidade e os rios da região.  Com o aquecimento global, as geleiras dos Andes estão desaparecendo rapidamente, ameaçando o suprimento de água de cidades inteiras como Cusco, La Paz e Lima e suscitando a pergunta: Será que os primeiros refugiados climáticos da América do Sul virão das nações andinas?

 

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